Vingadores: Guerra Infinita – Por que este é o melhor filme da Marvel?

Vingadores: Guerra Infinita é um dos filmes mais esperados da última década e o maior evento crossover da História desde que Chaves e Chapolin se encontraram. Toda a hype para o filme não é de graça, são 10 anos construindo o caminho para este resultado com histórias divertidíssimas e estabelecendo personagens que passaram a ser recorrentes. Apesar de Vingadores: Guerra Infinita não ser o fim de tudo, é bem fácil de notar que este é o grande projeto por trás de todo o universo cinematográfico da Marvel (UCM, ou MCU, como preferir).

Finalmente vimos o tal do grande projeto. E já adianto que a minha opinião sobre ele é quase que unanimemente positiva. Então coloque a sua manopla de leitura e vamos acompanhar alguns dos principais detalhes de Guerra Infinita! Lembrando que o texto contém spoilers! Leia por sua conta em risco.

Vingadores: Guerra Infinita – O que faz dele o melhor filme da Marvel

Ainda está por aqui? Bom, agora vamos entrar em territórios de spoilers. Já adianto que, se você ainda não viu Guerra Infinita, corra e vá assistir no cinema mais próximo o quanto antes. Não importa se está em 2D, 3D, dublado ou espelhado para evitar strike. Guerra Infinita é essencial para quem gosta de filmes de quadrinhos ou de ação em geral.

Começando com a mão direita…na cara do Hulk

Vingadores – Guerra Infinita

Você se lembra do primeiro Vingadores? Provavelmente sim, o filme foi um dos maiores saltos cinematográficos da história e lançou toda a moda do “universo compartilhado”, apenas um pequeno efeito colateral indesejado.

E Vingadores é realmente memorável, porém, eu que já o assisti de três para seis vezes, só lembro vividamente do que acontece depois do ataque de Loki ao Porta Aviões da S.H.I.E.L.D. Existem uns bons 15 ou 20 minutos relativamente esquecíveis no primeiro Vingadores. Claro, isso não é culpa do diretor Jhoss Whedon (Josueldo para os mais próximos) e nem dos roteiristas. Na época ainda tinha muito o que ser explicado e estabelecido para a união dos Vingadores.

Como já disse, Vingadores: Guerra Infinita vem sendo preparado há 10 anos, por isso já começamos o filme da melhor forma possível, direto à ação e sem tempo para enrolar. As cenas iniciais são perfeitas para colocar os espectadores no clima da história.

Nos primeiros cinco minutos temos Thor e Hulk, dois dos membros mais poderosos do UCM derrotados. Mas não para por aí, durante os primeiros 10 minutos também temos Heindall, interpretado pelo incrível Edris Elba, e o queridinho do público, Loki, mortos.

Sim, Guerra Infinita começa matando um dos personagens mais queridos entre todos os filmes. Eu acreditava que a Marvel só se livraria dos personagens menores e mais sem sal, mas eu estava redondamente enganado. Começar tudo com a morte do vilão mais carismático da franquia foi uma atitude corajosa, foi um clássico momento “Você tinha a minha curiosidade, agora tem a minha atenção”.

Acredita que os primeiros minutos desse filme me fizeram mudar de ideia sobre uma das coisas que eu mais odiava no universo cinematográfico da da Marvel? Pois é!

O Hulk sempre foi um problema para mim nos filmes da Marvel. Eu nunca gostei do caminho que tomaram com ele, uma criatura imparável e a solução de tudo, tal como as águias para a Terra Média.

Até o momento, a cena que eu mais me contorço assistindo é a do Ultron com medo do Hulk no final de Vingadores 2.

Porém, na sua primeira luta contra o Titã Thanos, logo depois famosa “Nós temos um Hulk”, o gigante esmeralda é derrotado em questão de segundos. Para mim, essa cena conserta toda a chatice do Hulk (lembrando que essa é a minha opinião). O fato do Hulk ser tão poderoso nos outros filmes, mesmo que isso prejudicasse a qualidade dos vilões, serviu para mostrar como o Thanos é poderoso e como ele não está para brincadeira. (voltarei no Hulk mais tarde, tem mais a se falar sobre ele).

As cenas iniciais de Guerra Infinita formam a introdução mais eficiente e bem orquestrada já vista no Universo Cinematográfico da Marvel.

Equilíbrio de personagens

A primeira preocupação que tive durante os anúncios e notícias sobre Vingadores: Guerra Infinita foi o número de personagens e o possível desequilíbrio que isso causaria. Muitos personagens em um mesmo filme não dá certo, Homem Aranha 3 e Espetacular Homem Aranha 2 foram provas concretas disso.

Porém, a equipe por trás do longa conseguiu o equilíbrio exato com os personagens. A primeira grande sacada foi debilitar os mais fortes e que com certeza deixariam outros membros das equipes afastados.

Thor é sem dúvidas o mais poderoso entre todos, porém, desde Ragnarok ele não possui o seu martelo e por isso está bem mais fraco do que o normal. Thor com certeza poderia enfrentar Thanos se tivesse a sua arma em mãos e essa é a sua jornada, ele não perde a sua importância, mas ao mesmo tempo não tira a importância dos outros.

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Logo depois de Thor, no quesito poder, vem a Feiticeira Escarlate e o poderoso Visão. Eles logo são tirados da frente de batalha e colocados em sua própria jornada, com Visão sendo mortalmente ferido por Corvus Glaive e Proxima Meia-noite (logo mais falarei sobre eles). Wanda, por sua vez, fica com Visão e a sua missão é tentar proteger o homem que ama e salvar o universo.

Com os três “ex machina” focados em um plano para um objetivo maior, a batalha se concentra em personagens menores e menos “poderosos”. O interessante é que, apesar de eles não irem diretamente para o combate, os três estão se preparando para algo grande ou tentando salvar o mundo da sua forma. Novamente, ninguém perde a importância.

E é aí que vem a segunda parte importante do equilíbrio do filme: Os diferentes locais de batalha.

Guerra Infinita conta com muitos cenários diferentes e quase todos são outros planetas. Todos os personagens são divididos entre esses lugares, cada um tentando enfrentar a situação em que se encontra e salvar o universo.

Homem Aranha, Doutor Estranho, Homem de Ferro, Peter Quill, Mantis e Drax estão em Titã enfrentando Thanos diretamente e tentando tirar a Manopla do Infinito de seu poder.

Thor, Rocky e Groot estão em Nidavellir tentando forjar o Rompe Tormentas, uma “arma mata-Thanos”. Apesar de não ter nenhuma ligação com o filme, o Rompe Tormentas é o machado do Bill Raio Beta.

Alguns personagens, como Gamora, ficam separados pela Galáxia enquanto o resto dos heróis defende Wakanda contra o ataque das tropas de Thanos e da Ordem Negra em uma batalha épica e de proporções incríveis.

Existem muitos personagens? Sim, existem. Mas ao retirar os mais fortes para que os mais “humanos” se destaquem e ao separar o filme em diferentes cenários e objetivos, é criado um equilíbrio -quase- perfeito e que não cansa quem está assistindo.

Equilíbrio de humor

Outra grande preocupação em relação a esse filme era o fato de que a chamada “Fórmula da Marvel” estava cansativa, principalmente com as piadas. Juntar todos os personagens, incluindo os piadistas, em um lugar só podia ser um erro que acabaria apagando o tom mais obscuro que a Guerra Infinita merece.

Felizmente os roteiristas notaram que isso seria um problema. Existem piadas e alguns momentos descontraídos? Sim, existem, mas eles não são injustificados ou não merecidos. Os personagens agem de acordo com a situação e com a gravidade de tudo. Porém, estes são personagens já estabelecidos e com suas próprias personalidades. Tirar todo o carisma e a parte atrapalhada do Senhor das Estrelas não faria serviço para o filme, apenas deixaria o personagem com outra personalidade.

As piadas são sim merecidas. Queremos ver os personagens que tanto adoramos do jeito que eles nos foram apresentados logo no início de tudo. Tentar fazer um personagem entrar em “Modo de duelo” só porque a história é “dark” e tem que ser sombria por isso atrapalha mais do que ajuda.

Encontrar a hora certa para momentos mais descontraídos e para cenas mais complexas e emocionais não é um trabalho fácil e acredito que o filme conseguiu acertar em pelo menos 95% das vezes neste ponto.

Concordo com todas as vezes em que se tentou criar um momento engraçado? Não. Algumas das piadas não parecem encaixar com o resto dos acontecimentos, já outras são simplesmente sem graça. Mas no geral os diálogos funcionam, o humor é controlado e o resultado final é bem agradável.

O Hulk e as suas (novas) complexidades

Como eu disse, o Hulk é o personagem que eu menos gosto de toda esta década de filmes da Marvel. Porém, Vingadores – Guerra Infinita traz um personagem com o qual eu não só tive muita empatia, mas passou a ser um dos meus favoritos. Quem diria que o melhor jeito de consertar o Hulk era sumir com ele durante o filme todo?

Pois é, dessa vez o Hulk fica para trás para abrir espaço para Bruce Banner. Mark Ruffalo é um excelente ator, mas ele fez um papel incrível em Guerra Infinita. Sendo um dos poucos sobreviventes do encontro com Thanos, Banner está assustado e o jeito que o ator interpreta esta questão está à prova de falhas.

Desde a voz até os maneirismos, Ruffalo foi impecável. Bruce é um dos personagens mais importantes e carismáticos do longa.

Algo que me surpreendeu foi o uso do Hulk durante o filme. Ele aparece no começo, enfrenta o Thanos, leva uma boa surra e depois deixa de querer aparecer. Banner até tenta trazer o grandalhão para a briga, mas ele sempre se recusa com um sonoro “Não”.

Além de separar o Hulk do Bruce Banner completamente, tornando-os dois personagens completamente diferentes, isso mostra como Thanos é uma ameaça muito maior do que qualquer outra.

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Sempre que Banner tentava trazer o Hulk de volta e ele respondia com um “não”, me lembro de a sala de cinema inteira rir. Porém, eu acredito que  não era essa a intenção do filme.

Veja bem, o Hulk, uma das criaturas mais poderosas do universo, estava com medo de enfrentar Thanos. Toda vez que ele se recusava a aparecer, era porque ele estava petrificado, se escondendo e apavorado. Ver um herói, que até o momento era imparável, com tanto medo era agonizante e até entristecedor.

Não sei se estou lendo além das entrelinhas e tentando enxergar algo que não existe, mas esta nova “camada” do personagem me deixou contente e acredito que é uma evolução importante para ele.

Os efeitos especiais são incríveis

©Marvel Studios 2018

Eu não acho que a qualidade dos efeitos especiais de um filme está diretamente ligada à qualidade geral dele. Existem muitos filmes por aí que pecam um pouco na beleza visual, mas são verdadeiras obras de arte (Shin Godzilla é um exemplo disso).

Porém, no caso de filmes de super heróis, os efeitos especiais são importantíssimos para nos transportar para o universo proposto. Vingadores – Guerra Infinita traz um trabalho impecável no ramo dos efeitos especiais, trazendo não só imagens maravilhosas, mas também personagens bem reais.

O destaque fica por conta da Ordem Negra: Corvus Glaive, Proxima Meia-Noite, Estrela Negra e Fauce de Ébano.

Os quatro personagens, assim como os heróis, estão bem distribuídos no longa, cada um com seus conflitos e até ambientes separados, novamente trazendo o equilíbrio necessário para o andamento da trama. Eles são feitos com um certo realismo e um trabalho de captura de movimentos fantástico.

Todo o resto não foge do padrão da Marvel. Cenários bem imaginativos e com bastante cor, efeitos convincentes, nenhum bigode mal removido e por aí vai.

Todas as promessas cumpridas

Desde as primeiras notícias de Guerra Infinita que vemos um monte de promessas sendo feitas. Promessas de ser o maior filme de super heróis de todos os tempos (em questão de escala) e a promessa da morte de alguns personagens.

A primeira promessa não foi difícil de cumprir. Vingadores – Guerra Infinita tem uma escala maior do que qualquer outro longa do gênero sonhou alcançar. São dezenas de personagens, dezenas de cenas de combates e uma infinidade de efeitos especiais.

É um filme grandioso e incrível.

Já a segunda promessa, eu achei que não iria vingar (sem perdão pelo trocadilho). O que eu acreditava é que Guerra Infinita seria uma excelente desculpa para se livrar de personagens fracos ou com o contrato acabando. Jurava que as mortes seriam tão insignificantes quanto a do Mercúrio em Vingadores – A Era de Ultron.

Porém, como já deu para perceber lá no início do texto, ele vai muito além disso. Sem nenhum aviso e sem nenhuma preparação, personagens queridos e estabelecidos morrem e nos pegam de surpresa.

Gamora, Loki, Heindall e Visão morrem durante o decorrer da história, são mortes tristes e que espantam. Porém, no final, metade do universo é destruído pela Manopla do Destino, isso inclui Homem Aranha, Mantis, Peter Quill, Pantera Negra, Soldado Invernal, Feiticeira Escarlate e por aí vai.

O filme acaba com Thanos olhando o pôr do sol, gravemente ferido por Thor, mas com a sua missão cumprida: Metade de toda a vida no universo foi apagada.

Apesar de ser uma frase clichê, Guerra Infinita é o “Império Contra-Ataca” da franquia, trazendo uma história que, enquanto completa, prepara o terreno para um próximo filme. Outra decisão arriscada, mas que felizmente funcionou.

No passado, a ideia era que ele se chamasse “Vingadores: Guerra Infinita Parte 1”. Mas felizmente isso foi mudado, assim, o final onde o vilão vence foi muito mais surpreendente e impactante.

O silêncio na sala de cinema quando os créditos começaram a subir era inigualável. Ninguém imaginava que a história iria acabar daquela forma, com um tom sombrio e uma sensação de falta de esperança.

Conclusão

Estes são os principais elementos que tornam Vingadores: Guerra Infinita fantástico e o melhor entre os filmes da Marvel. Claro, existem muitos outros fatores responsáveis pelo sucesso do longa, os atores excelentes, a caracterização a trilha sonora. Tudo trabalhado para criar uma obra prima.

O filme não é perfeito, claro. Existem alguns elementos aqui e ali que falham, como a luta final entre Thor e Thanos que pode ser considerada um pouco clichê. Algumas piadas não funcionam, algumas cenas são rápidas demais, outras lentas de mais. Mas são falhas pequenas que não interferem na qualidade geral do projeto.

Vingadores: Guerra Infinita é um filme necessário para todo fã de ação e que vai marcar como uma das maiores produções da história.